Marco

Um domínio de 9 reais. Um namorado. 5.106.172 cartinhas depois.

13/05/2026 5 min de leitura 383.038 views
Um domínio de 9 reais. Um namorado. 5.106.172 cartinhas depois.

Era domingo, 2 de novembro de 2025, 21h15 da noite. Eu estava sem dinheiro e queria presentear meu namorado. Não tinha grana pra comprar nada. Mas tinha um servidor rodando — sou desenvolvedor, hoje migrando pra arquitetura de dados e software — e tive uma ideia que parecia boba na hora: registrar um domínio barato na Hostinger, menos de 10 reais no primeiro ano, e criar uma página só pra ele.

Primeiro pensei numa página bonita. Depois: e se fosse uma carta? Daí as ideias foram chegando sem parar. Uma senha pra proteger — a senha era 2025, o ano. Uma música tocando automaticamente quando ele abrisse. Um contador regressivo no meio do texto, contando em tempo real os dias, horas, minutos e segundos até uma data importante pra nós dois. Um envelope animado que abria na tela antes de revelar a carta. E no final, quando ele chegasse na última seção, uma chuva de corações caindo pela página por 30 segundos. Tudo pensado pra uma pessoa só. Algo que nenhuma plataforma entregava do jeito que eu queria — então eu construí.

Aquela cartinha feita às pressas, por amor e por falta de opção, era o Cartinha Online em embrião. Eu só não sabia ainda.

Um amigo viu a página e pediu que eu fizesse a mesma coisa pra esposa dele. Problema: o nome do meu namorado estava literalmente no domínio. Não tem como, falei. Resolvi do jeito possível — criei uma variação no mesmo domínio, tipo dominio.extensao/esposadele.html, e mandei o link. Ele adorou. Então me mandou umas dez modificações.

Foi aí que eu pensei: preciso criar um sistemazinho só pra atender esse cara.

Sim. Eu pensei isso. Pra um amigo. Um único amigo.

Só que um outro amigo dele viu, quis a mesma coisa pra esposa, e de repente eu estava evitando todo mundo no WhatsApp. Vacuei geral. Com pessoas que eu conhecia pessoalmente. Sem cerimônia nenhuma. Não ia conseguir atender um a um criando página na mão — então eu simplesmente não atendia ninguém.

O que me salvou foi o próprio amigo que começou tudo. Ele ainda queria mudar o design da cartinha dele, e foi tentando atender essas modificações que nasceram os primeiros modelos do sistema: romântico, pedido de namoro, desculpas, convite de aniversário.

Na quarta, 5 de novembro de 2025, eu enviei a cartinha pro meu namorado. No mesmo dia, às 21h31, eu registrei o cartinha.online e subi o sistema. Não horas depois. O mesmo dia, a mesma noite. A data de registro e a data que foi ao ar são a mesma. Numa versão muito, mas muito beta mesmo.

Essa é a primeira versão — feita em HTML puro, só pra uma pessoa, sem nenhuma intenção de virar o que virou:

Primeira versão do Cartinha Online, feita em HTML puro

Primeira versão do Cartinha — HTML puro, zero sistema, só amor e gambiarra.

Ah, e nessa primeira versão do site eu ia cobrar. Pode rir. Tinha três planos: Gratuito, Premium e Família. O gratuito vinha com marca d'água e sem proteção por senha — isso era feature paga, R$39,90 pagamento único no plano Premium. Tinha até plano Família por R$19,90 por mês. Eu tinha tabela de preços, seção de recursos, missão, visão, o pacote completo. Uma landing page de startup de verdade, pra um sistema que tinha acabado de nascer naquela mesma noite.

Hoje senha, música, temas, contador — tudo é gratuito. Sem marca d'água. Sem plano. Sem cobrança. A tabela de preços durou menos que o domínio do meu namorado.

Os números que eu não esperava ver

Não é projeção. Não é meta de slide de pitch. São números reais, tirados direto do banco.

~5.1M

cartinhas criadas

2,09M

usuários cadastrados

Hoje a tabela cartinhas tem aproximadamente 5.1 milhões de linhas. A tabela usuarios tem 2.095.529 registros. Isso não veio de campanha paga. Não veio de growth hack. Veio de pessoas compartilhando o link pra outras pessoas. Boca a boca digital, da forma mais honesta possível.

Eu ainda não sei exatamente o que sentir com isso.

O que 2 milhões de usuários exigem da infraestrutura

Quando a base era 170 mil usuários, qualquer pico era gerenciável na força bruta. Com mais de dois milhões, a conversa mudou completamente. A V2.0 foi construída exatamente pra isso — suportar carga até 4x maior que a V1, com moderação em tempo real, prepared statements em 100% das queries e um novo cluster de infraestrutura.

E funcionou. Não houve queda durante os picos.

  • A tabela localizacao_usuarios acompanha a base inteira.
  • A tabela programa_indicacoes tem 1,65 milhão de entradas — as pessoas estão usando o sistema de indicação ativamente, sem que eu precise forçar isso com recompensa artificial.

"Uma plataforma que só funciona quando está pequena não é uma plataforma. É um protótipo com data de validade."

Cartinha gratuita não expira. Nunca.

Com esse volume de dados, a pressão pra cortar armazenamento de contas gratuitas existe. Eu sei disso. E vou ser direto: não vai acontecer.

O compromisso que assumi desde a V2 segue de pé — cartinhas gratuitas não têm expiração automática. Se existir remoção algum dia, vai ser escolha de quem criou, não regra minha.

O que vem a seguir

  • Entrega física via Correios entra em produção entre maio e junho. A parceria já está fechada, a logística dinâmica por CEP já está implementada. Vai ser a primeira vez que uma cartinha criada aqui vai sair de uma tela e chegar numa porta de verdade.
  • V3 prevista pra junho — funcionalidades sociais e monitoramento de trilha sonora em tempo real. O Spotify já está integrado nativamente desde a V2. A próxima camada é tornar cada perfil mais vivo, mais conectado com o momento.

Cinco milhões é um número que vai continuar subindo. Dois milhões de usuários é uma responsabilidade que eu levo a sério.

Tudo começou com um domínio de 9 reais e uma carta com senha e música. Ainda bem que eu estava sem grana naquele dia.

Henrique Tourinho

Henrique Tourinho

Espalhando afeto através de palavras.

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